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Quando o melhor presente é a presença

Em dezembro me peguei fazendo uma busca inédita no Google: "o que dar de presente para amigos que estão de mudança?". Eu gosto muito de presentes - tanto de dar quanto de receber - principalmente aqueles que têm significado ou utilidade, ou ainda, os dois. Eu queria muito que eles "me levassem junto" e também não queria ser um problema a mais na mudança - que é sempre o ó! Enquanto eu pesquisava, me lembrei que essa não era a primeira vez que dava um presente para alguém que se mudava. O primeiro foi, justamente, pra ela. Nos conhecemos no trabalho e nos tornamos grandes amigas. Quando ela me contou que estava de mudança para fazer uma especialização que era a cara dela, fiquei radiante por vê-la seguindo seu caminho e seu coração. Já ele eu conheci mesmo à distância. Entre conversas gentis com informações sobre um programa de desenvolvimento, atividades formais de aprendizado e conversas à toa depois do curso, fui aprendendo a admirar esse ser humano incrível. Eu v...

Controle: quando ele virou o rei da casa (e da vida)?

Já tem bastante tempo que quero escrever esse texto. Vários que foram escritos nos últimos tempos "furaram a fila". É que o tema é muito complexo (na verdade, desafiador!) e esses a gente vai deixando de molho, mesmo que o blog exista justamente para me ajudar a pensar. Controverso, não?! Há alguns anos eu estava dando uma aula de comunicação para meus queridos jovens e estávamos interpretando um charge cujo tema era a influência das mudanças tecnológicas no nosso comportamento e na nossa saúde. Aí, pra dar um exemplo, eu contei para eles como era a vida antes do controle remoto. Lembro que fiquei perplexa quando me contaram que já temos aplicativos para controle remoto no celular. Se você nasceu nos anos 2000 nunca deve ter parado para pensar nisso, mas existia vida antes do controle remoto. Me lembro bem da primeira vez que tive contato com um - e com certeza não foi na minha casa. Naquele época, controle remoto era artigo de luxo. Exatamente por isso, lembro com clareza do...

Sobre noites, medos e coragem!

 "Às vezes, na noite escura... a gente se pega sentindo medo." Não que apenas à noite a gente sinta medo, mas é que, à noite, ele parece muito maior. Nos últimos dois anos eu senti muitos medos na noite escura. Senti medo de ficar doente. Senti medo das pessoas que eu amo adoecerem. Senti medo de adoecer as pessoas que eu amo. Também senti medo de pessoas que não sentem medo! Senti medo de perder o trabalho. Senti medo das pessoas perderem o trabalho. Senti medo de nos perdermos. Também senti medo de pessoas que não sentem medo! Senti medo de amar. Senti medo de ser amada. Senti medo de não dar conta! Senti medo de sentir medo. Também senti medo de pessoas que não sentem medo! E aí, lendo a história do Tio Luiz, brilhantemente contada pela Nina e pela Dessa - aliás, um dos melhores presentes que um professor poderia ganhar - eu percebi que senti muito medo, mas que também tive muita coragem. A coragem não é o contrário do medo. A coragem é a força que nos leva a atravessar as...

Entre o movimento e a pausa: espreguiçar!

Todos os dias, quando acordo, eu me espreguiço na cama antes de levantar. Faço isso depois que aprendi que é bom para evitar dores no corpo. Houve uma época em que eu sentia muitas dores no corpo. Dores constantes, às vezes incapacitantes. Quem sente dores constantes sabe o quanto é difícil ter que aprender a viver com elas. A viver apesar delas. Hoje isso não acontece mais. Eu aprendi a cuidar mais de mim e, de lá pra cá, para evitar a dor, eu mudei muitos hábitos. O de espreguiçar é um deles. Muitos dos hábitos que adotei para cuidar do corpo físico significaram acrescentar algo à rotina: incluir exercícios físicos, aumentar a atenção na postura, espreguiçar e alongar. Mas nem sempre cuidado tem a ver com acrescentar. Às vezes é preciso retirar. Há mais de um ano eu criei este blog com o objetivo de ter um espaço para elaborar meus sentimentos e pensamentos (calma! não vou retirar o blog da minha vida!). E em meu último texto até então eu refletia o quanto esse exercício havia sido f...

Hoje a gente faz um ano...

Hoje, enquanto lavava a louça bastante mal humorada (e eu nem sou disso!), estava refletindo sobre várias coisas e, de repente, tive uma epifania: hoje meu blog completa um ano! Um detalhe bem importante de contar é que sou daquelas que lembra data de tudo, mas do blog eu nem estava "atinando". Naquele momento, abri um sorriso e refleti o bem que ele tem me feito. E decidi que iria comemorar essa data. Meu humor melhorou e logo logo pensei em como iria terminar este dia. Abri o computador para fazer um post sobre esse um ano. Pela primeira vez, não fiz isso com o texto amadurecendo dentro de mim. A minha escolha foi por ler todos os textos, de uma vez, em ordem cronológica. O sorriso da epifania da pia misturou-se com suspiros e lágrimas. Meu blog tem cumprido o propósito: me ajudar a me entender e a me abrir...  Durante este um ano eu falei muito de mim. Relendo os textos com esse olhar pude me ver e me rever tanto. Pude constatar todas as minhas transformações. O mais legal...

"O papel higiênico não brota no banheiro!"

Numa conversa sobre a vida de adulto com uma amiga de infância, ela resumiu, brilhantemente, o que é morar sozinha na seguinte frase: "eu descobri que o papel higiênico não brota no banheiro". Desde então, além de repetir isso sempre que posso, eu nunca mais fiquei sem um fardo de papel higiênico em casa. Parece bobeira, mas quando se mora sozinho essas coisas passam a pular aos nossos olhos. O banheiro é um dos cômodos em que isso fica muito evidente. Dá pra tomar banho de porta aberta, mas se esquecer a tolha a molhança na casa - que você mesmo terá que limpar depois - é certa! Mas não só no banheiro fica evidente o que é morar sozinho e toda a mudança não só de rotina mas de mentalidade que isso traz! A cozinha, por exemplo, também te lembra, frequentemente, que não há mais ninguém para repartir! Por um lado, você sempre terá exatamente o mesmo tanto de louça suja que deixou e ninguém vai roubar o último pedaço de pizza. Mas, se não ficar esperto, as coisas perdem! E como ...

O que é dor?

Eu não sei explicar o que é dor. Cheguei à essa conclusão em um momento que a dor me consumia  e eu, sentindo-a, tentava, em vão, entender. Fiquei pensando se alguém saberia explicar o que é dor. Você sabe, leitor? Veja bem, estou perguntando se você sabe explicar o que é a dor, não se você já sentiu, onde ou de qual tipo. Desde bem pequenos sabemos expor quando temos dor. Às vezes não sabemos explicar a origem, outras vezes não sabemos descrever como é sentir, mas mesmo sem ninguém te ensinar, você sabe o que o é a dor. Quando comecei a escrever este texto a minha dor era na alma. E, tentando escutar a dor, cheguei à conclusão de que não sei definir o que é doer. Sei dizer onde dói. Sei dizer (mais ou menos) porque dói. Mas o que é doer? Um site de saúde me contou que dor é uma experiência desagradável, que pode ser sensorial ou emocional e acontecer em diversos níveis de intensidade. Fez sentido para mim - e fiquei feliz de ver a dimensão emocional contemplada - mas não me parece...